Viver em paz

Não há caminho para paz. A paz é o caminho. Desde o início do Meu Ambiente, uso essa citação do Mahatma Gandhi na introdução da página. Acho que chegou a hora de comentar mais sobre o assunto, pois, com a violência cada dia mais perto de nós, a sociedade precisa incorporar urgentemente a cultura de paz.

O Brasil não vive nenhuma guerra armada internacional. O fanatismo religioso e o regime ditatorial não fazem parte do nosso cotidiano. Convivemos, porém, com sérios conflitos internos, boa parte causada por um sistema educacional deficiente e por uma distribuição de renda injusta. Mas, sinceramente, acredito que a principal causa da violência é outra.

O ser humano esqueceu os valores essenciais da vida. Mães, pais e guardiões, preocupados em sustentar materialmente os filhos, acabam deixando em segundo plano o alimento mais importante para construção de uma pessoa de bem. Cadê as virtudes? Compaixão, generosidade, tolerância estão sendo substituídos por desdém, egoísmo e agressão.

No atual cenário, confesso, fico pessimista sobre a solução desse problemão. Só que não dá para desistir. Pode ser um caminho difícil e longo, mas é preciso acreditar que é possível reverter a situação. A escola pode ser uma grande aliada nesse desafio.

A cartilha Paz, como se faz?, desenvolvida por Lia Diskin e Laura Gorresio Roizman, é um bom suporte para introduzir o tema para crianças e jovens. O material reúne dicas de atividades, jogos, leituras, filmes e músicas para trabalhar a cultura de paz nas escolas.

A publicação já existe há algum tempo, mas o conteúdo continua atual. Não sei se os professores estão habituados a usá-la nas aulas e quais têm sido os resultados, mas torço para que sejam bons e tenhamos adultos mais sensíveis e pacíficos no futuro.

Quanto a nós, que já não estamos na escola, vamos levar a cultura de paz para as relações do dia a dia. Em casa, no trabalho, na rua, no ônibus, no supermercado, no banco. Quem sabe, a partir do exemplo, conseguimos plantar algumas sementes do bem.

Paz, como se faz?

Aquarela da vida

Ontem passei um tempinho lendo os posts do meu antigo blog. Ele também chamava Meu Ambiente, mas tinha um tom diferente, os textos eram mais descontraídos, acho que eu era mais espirituosa. Uma delícia reler meus pensamentos e os comentários dos amigos e familiares, que eram os únicos leitores. Bateu uma nostalgia. Pensa só, comecei em 2003, há oito anos.

Comentei com uma amiga e perguntei por que agora não consigo escrever como antes, o que havia mudado. Ela simplesmente respondeu: você!

É bem por aí mesmo, os anos passam, convivemos com pessoas diferentes, encontros e desencontros, aprendemos coisas novas, vivenciamos experiências diversas, abandonamos alguns interesses e nos dedicamos a outros. Acho que é isso que todos chamam de amadurecer.

Apesar de ter mudado muito de lá para cá, a minha essência continua a mesma. Continuo me emocionando com um vídeo publicado em abril de 2004. É um clipe animado da música Aquarela, do Toquinho, uma verdadeira metáfora sobre a vida. A direção é de André Koogan Breitman e Andrés Lieban.

Água para beber

Como é bom beber água, fresquinha. Na foto, após uma longa caminhada pelas ruas da catarinense Laguna, cidade da Anita Garibaldi, num calor típico do nosso verão, encontro essa dádiva para refrescar as minhas células. Nós, brasileiros, somos sortudos, temos muita água por aqui. Por isso, muitos não acreditam que ela pode acabar e esbanjam, esbanjam.

Claro que ela não vai acabar acabar, pois nosso planeta é constituído por 70% dela. Só que 97,5 é salgada, ou seja, imprópria para beber. Os 2,5% restantes estão distribuídos entre geleiras, neve… Em resumo, sobra menos de 1% de água doce disponível para consumo do ser humano. Li na National Geographic, na edição especial sobre água do ano passado, que uma em cada oito pessoas do mundo não têm acesso à água potável. Dá para imaginar uma coisa dessas?

Hoje é o Dia Mundial da Água, instituído em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Vamos debater e refletir sobre o uso desse recurso tão valioso. O tema escolhido para esse ano é Água para as cidades: respondendo ao desafio urbano (em inglês). A Agência Nacional de Águas (ANA) preparou um hotsite sobre o assunto: Águas de Março 2011. Vale a pena dar uma conferida, aprender, repassar para os amigos e adotar uma postura mais consciente em relação ao nosso bem mais precioso. Afinal, água é vida.

Foto: Leopoldo Lima

Sorteio do livro Sustentabilidade – a legitimação de um valor

Tenho um livro Sustentabilidade – a legitimação de um valor, do economista José Eli da Veiga, publicado pela Editora Senac São Paulo com patrocínio do Itaú-Unibanco, para sortear entre vocês.

Para participar, basta deixar um comentário neste post até sexta-feira, 26/11, às 23h59.

Lembre-se de mencionar o e-mail para contato. Vale apenas um comentário por pessoa, ok?

Boa sorte ;-)

José Eli também é autor, entre outros, de Desenvolvimento Sustentável: o desafio do século XXI (2005).

Sustentabilidade é um novo valor

Ontem, 22/11, acompanhei o lançamento do livro Sustentabilidade – a legitimação de um novo valor, do economista José Eli da Veiga, no Diálogos Itaú de Sustentabilidade. O título foi publicado pela Editora Senac São Paulo com patrocínio do Itaú-Unibanco. No evento, o autor convidou o jornalista Sérgio Abranches e o economista e cientista social Eduardo Giannetti da Fonseca para darem suas impressões sobre a publicação. Infelizmente, a senadora Marina Silva, que também foi convidada, não pode comparecer.

Eu ainda não li, mas entendi que o livro está dividido em três principais discussões: a definição de sustentabilidade, a transição para a economia de baixo carbono e a mensuração sobre o que passa na economia. José Eli acredita que, hoje, a questão ambiental central é a climática.

Outros problemas, como a perda da biodiversidade e a gestão dos recursos hídricos, que, no futuro, pode até ocasionar guerras, especialmente na Ásia, são importantes, mas todos os ganhos conquistados nessas áreas podem ser anulados se o aquecimento global não for resolvido. Por isso, ele fala da importância da transição ao baixo carbono, que é a adoção de energias limpas, como eólicas, solares, geotérmicas, biomassas e, até mesmo, as hidroelétricas.

Abranches aponta aí o surgimento de uma grande oportunidade de investimento nessas tecnologias, tanto em pesquisas quanto em educação. A grande surpresa para mim foi o Giannetti, nunca tinha visto uma palestra dele, ele foi claro e muito didático. Disse que quanto mais se avança na questão econômica, mais se fica obsessivo pela economia. “É uma alienação em larga escala”, falou. Ganhou aplausos quando revelou não entender como um trabalho tão importante, como ficar em casa para cuidar dos filhos, pode ser considerado pela sociedade atual uma derrota. A revisão de valores é mais do que necessária.

José Eli explica, para quem insiste em pedir uma definição precisa de sustentabilidade, que o conceito, que ainda está em formação, remete ao futuro, à durabilidade, à perenidade. Para muitos, esse significado ainda não responde à pergunta e o fato é que será difícil encontrar um sentido objetivo que agrade a todos. Mas, basicamente, sustentabilidade é um novo valor.

Quem quer ler o livro, aguarde novidades ;-) 

Diálogos Itaú de Sustentabilidade
Denise Hills, da área de sustentabilidade do Itaú, mediou o diálogo. Todo o evento foi traduzido em libras (reparem na menina lá no canto), achei super legal.

Água do banheiro

No Blog Action Day 2010, o tema é água. Como vocês podem reparar, tenho postado bem pouco aqui. Mas as ideias sempre aparecem, especialmente quando passo em alguma calçada e vejo gente que ainda usa mangueira para lavar calçada, penso: tenho que falar sobre isso no blog, mas nunca falo.

Chegou a hora, portanto, de mencionar uma campanha sobre a qual há tempos eu quero escrever: Xixi no Banho (eu sei, notícia velha, mas não custa reforçar). O objetivo é simples: invés de usar o vaso sanitário e dar descarga, gastando 12 litros de água potável para mandar o xixi embora, deixar ele escoar pelo ralo na hora de tomar banho. Imagine todo mundo economizando uma descarga por dia? Milhares de litros de água poupados e à disposição para bebermos.

Aliás, o xixi é composto por 95% de água e o restante de substâncias diluídas como ureia e sal. Não tem nada de nojento e insalubre, mas é bom esvaziar a bexiga logo no início do banho (que não pode ser demorado, né, gente).

Na verdade, não entendo por que usamos água potável, tratada, a mesma que sai da torneira para cozinhar, na descarga. Por isso, alternativas para esse fim são muito bacanas. A captação de água de chuva é uma delas. O sistema inclui calhas instaladas no telhado que levam a chuva para um tanque ou uma cisterna depois de passar por um processo de filtragem de resíduos, podendo aí ser reaproveitada nos jardins e na rede de esgoto. Outra ideia legal é a instalação de uma válvula de descarga com dois botões, um para o número 1, que despeja menos água que o botão para o número 2.

Uma das opções de válvula ecológica disponível no mercado, que economiza até 40% de água em relação à convencional.

O negócio é esse aí, buscar maneiras para diminuir o desperdício desse recurso tão essencial. Há coisa melhor do que tomar um copão de água quando estamos com sede? Vamos fazer a nossa parte, seja em atitudes simples ou mais estruturais, e olho na sociedade, nas indústrias e no poder público para que todos façam a sua.