Eu tenho um gato

Há algum tempo não viajo em feriados. Se for contar desde quando, acho que há oito anos, desde que sou mãe de gato. É difícil sair e deixar o Ciro em casa. Dá saudade. Eu sei que gatos são independentes e reagem bem a uma ou duas noites sozinhos. Se tiver uma cama, comida e água, eles já são felizes. Mass… não dá, o coração de mãe não aguenta. Nas férias, uma vez por ano, ele costuma ficar aos cuidados da avó ou de uma vizinha prestativa. Nunca tentei hoteizinhos ou cat sitters, mas podem ser boas alternativas, quem sabe.

Bom, meu gato está se recuperando de uma infecção urinária. Já está um pouco melhor, mas jamais ficaria longe dele agora. Só que eu queria muito viajar no feriado de 9/7 e estava disposta a levá-lo. A ideia era ficar nessas pousadas simpáticas que os pets são bem-vindos ou em uma casa de aluguel para temporada.

E surgiu uma oportunidade, umas suítes bacanas que aceitam animais de estimação. Tudo lindo, se não fosse a frase esclarecedora do proprietário no e-mail: “Aceitamos cães de pequeno porte. Não aceitamos gatos”.

Quê? Qual o critério? Ambos são animais de estimação de pequeno porte. Fiquei chateada pra caramba, como uma mãe que tem seu filho discriminado. Explicaram depois que têm um cachorro na propriedade e preferiam não arriscar receber gatos. Mas que gostam de gatos, não têm nada contra eles. Ok, são as regras deles. Só acho que a escolha e o risco poderiam ficar por minha conta. Eu podia insistir, mas deixei para lá.

A verdade é que essa história me fez lembrar a época que eu tinha preconceito com gatos. Sim, eu confesso. Dizia que não curtia. Achava traiçoeiros. Frases prontas bobas. Até que meu então marido me convenceu a ter um gato. Depois de muita insistência, conseguiu me levar para conhecer aquele que depois seria o meu filhinho do coração.

Ele, pequenininho, olhou para mim, eu olhei para ele. Receosa, arrisquei a fazer um carinho, ele começou a ronronar. Ownn! Pronto, apaixonei pela pequena bola branca peluda na minha frente. Hoje eu adoro gatos, todos eles, dos vira-latas esbeltos e espertos aos gorduchos recatados e preguiçosos.

Eles são demais. Autênticos, engraçados, inteligentes, limpinhos, cheios de manias fofas, independentes e companheiros na medida. Eles são tão sinceros que se não estão a fim de ficar com você, não ficam. E são famintos, por isso agem de forma suspeita em situações ligadas à comida. Mas curto muito. Se alguém é como eu já fui um dia, digo apenas: dê uma chance aos gatos, a surpresa pode ser transformadora.

Atualização: Ciro viajou para o céu dos gatos em 20/5/2016. Saudades eternas!

Ciro: minha pequena bola peluda
Minha pequena bola peluda

Foto: Patricia Magrini