É bom, no conforto de casa, olhar pela janela e ver aquele mundaréu de água caindo. Aos que torcem o nariz, sempre digo: é necessário chover para florescer. Certa vez, assisti ao show do Cordel do Fogo Encantado embaixo de um grande temporal. O grupo agradeceu a presença da ilustre convidada (a chuva) ao som de Chover (ou Invocação para um dia líquido). Confesso que foi revigorante dançar e lavar a alma.
É lamentável, no entanto, saber que muitas famílias perdem seu patrimônio nas enchentes. Outros perdem a vida. Infelizmente (ou não), o ciclo é natural e as águas continuarão a cair. O mais triste é que sabemos que no verão elas são fortes e constantes. Durante o ano todo não nos preocupamos com isso. Em meio às tragédias, buscamos culpados.
Passei o primeiro dia de 2010 em uma cidade do Vale do Paraíba, nas imediações de Guararema e São Luiz do Paraitinga. Se o alagamento já era assustador onde eu estava, imagino nas cidades em que os danos foram devastadores. Meu marido criticava incessantemente o prefeito, mas eu dizia que podem ser inúmeros os fatores causadores de inundações e deslizamentos.
Desequilíbrio do clima, crescimento desordenado, ignorância da população, descaso do poder público? Ou apenas a imponência da natureza? Não sei. Pode ser nada disso ou tudo ao mesmo tempo. A verdade é que precisamos refletir sobre o problema e buscar uma solução.
Agora, o que nos resta é a solidariedade aos atingidos neste início de ano. O Vírgula preparou uma matéria com links de postos de arrecadações para os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, além de outras iniciativas de mobilização pela internet: Saiba como ajudar as vítimas das chuvas